Monday, June 04, 2012

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O que acontece quando deixamos de sentir valor?

O que vem a seguir ao vazio?

Como recuperar o que foi perdido?

Monday, December 05, 2011

Thursday, December 01, 2011

calma!


Ontem foi um dia complicado.

Corri para pagar a conta da luz que já estava fora de prazo. E só me questionava a mim - como é possível eu me ter esquecido de pagar? – pergunta sem resposta.
Corri ao supermercado para comprar ingredientes para o bolo de aniversário da minha irmã. E sem qualquer explicação o meu corpo deixou de estar na vertical e passou a estar na horizontal. Sim, tive uma queda monumental no estacionamento e só vi a caixa dos ovos ganharem asas e a voarem para bem longe de mim. Felizmente, apenas um não sobreviveu.

Tenho audiência as 15horas e engano-me no tribunal. Chego com meia hora de atraso e, mais uma vez eu me questiono – mas o que se passa comigo hoje? Que raio de azar é este? – mais uma vez fiquei sem resposta.

E o meu corpo estava completamente entregue aos nervos. Só me sentia a tremer.

Começo a descer com o meu carro a Avenida dos Aliados, no final da tarde e, o trânsito está um caos. Pensei que era continuidade da minha maré de azar. Só me faltava estar ali presa no trânsito. E inexplicavelmente, eu que nem vinha a prestar atenção nenhuma à rádio começo a ouvir esta musica e com calma vou olhando para o espaço que me rodeava.

Vi a cor do céu. Um azul acinzentado, muito típico de inverno. E relembro o quanto eu adoro o Porto. Reparo em meia dúzia de estudantes, que trajados a rigor, atravessam a rua e bate-me a saudade.   E faz-se luz dentro de mim. Caramba! Faz anos hoje que terminei o curso. Os anos passam.

No meio destes meus pensamentos embalados pela música, até ao momento desconhecida para mim, reparo na tranquilidade de um jovem casal de namorados que delicadamente se acariciam e se olham com ternura. Para eles era mesmo um momento de calma. Passavam centenas de pessoas pela avenida, mas tenho quase a certeza que eles nem notavam tanto movimento.

É impressionante aquele contraste. Enquanto uns correm sem aproveitarem o final de tarde com sol de inverno, outros, dançam num compasso mágico de mimos e beijos.  

Naqueles minutos em que ali estive, senti-me fora do meu corpo, que até aquele momento do dia estava quase a explodir de tanto stress. Naqueles momentos eu estive em tranquilidade total.

Pensei em amor, em mim, nele e no “nós” que construímos juntos. Pensei em todas as coisas maravilhosas que o amor nos trás e voltei a olhar para o casal de apaixonados e revi-nos neles.   Só lamento que a vida nem sempre nos permita ficar assim, alienados de tudo e todos. Lamento cada minuto que desperdiço a aturar pessoas fúteis e insuportáveis, quando os podia estar a gastar com ele. 

Mas a vida é mesmo assim, cheia de momentos stressantes, de pessoas irritantes e de coisas fúteis…  mas tudo isto vale a pena ser vivido, para eu saber o quanto o NÓS é importante e faz todo o sentido.


Friday, October 21, 2011

calar



Preciso urgentemente aprender o significado de silêncio.

Preciso aprender a calar todos os meus medos e receios infundados, que dão alento a uma língua destrava.

Sinto que preciso domesticar a minha língua e impedi-la de pensar. Sim, a minha língua pensa muito mais do que o meu cérebro! Fala muito mais do que o que deveria falar.

Não compreendo a sua necessidade de complicar o que é perfeito e descomplexado! Não compreendo a sua necessidade de ensombrar o que é tão radioso e mágico.

Compreendo, apenas, que é urgente um curso intensivo sobre “como manter a minha língua longe da minha vida”.

Talvez a culpa não seja dela, mas minha! Porque deixo que a mulher decidida e forte seja aprisionada pela menina frágil e insegura.

A insegurança persegue-me, sem razões ou motivos. Ela simplesmente, persegue-me, atormenta-me, tolda-me a racionalidade e deixa-me á deriva.

Eu sei que não tenho razões para duvidar, nem motivos para recear. Mas receio. Inexplicavelmente, eu receio!
E, Inevitavelmente a minha língua fá-lo sair e atacar quem não deve ser atacado por ele.

Saturday, October 15, 2011

Sorrisos


Tudo é mais simples com sorrisos!

Talvez, os sorrisos, existam porque tornaste tudo muito mais simples!

Tuesday, July 12, 2011

tive vontade e pronto...

Hoje tive vontade de escrever sobre ti, sobre mim, sobre nós!

Tive vontade de relembrar a forma como chegaste e invadiste todo o meu espaço, aboliste todas as minhas fronteiras e te assenhoraste do meu território.

Não pediste licença. Simplesmente entraste!

Não te impedi, não te questionei, não te impus limites.

E sabes o resultado disso?

SOU FELIZ!

Sou feliz por saber que discutimos mas não nos zangamos.

Sou feliz por saber que no final de um dia cheio de tralhas o teu colo está pronto para me receber.

Sou feliz por dançarmos a mesma música, mesmo com gostos musicais diferentes, nós dançamos!

Sou feliz por ser tua.

Sou feliz por seres meu.

Sou feliz por nada disto ser possessivo ou doentio.

Sou feliz pela construção saudável que fizemos.

Sou feliz pela liberdade que sinto ao teu lado.

Sou feliz por saber que te faço feliz.

Sou feliz quando te olho nos olhos.

Sou feliz quando me olhas nos olhos.
Sou feliz por cada dia que passo ao teu lado.

Sou feliz por todos os dias que passas ao meu lado.

Sou feliz por saber que te Amo …

Sou feliz por saber que me Amas…

Tuesday, May 17, 2011

Voltei porque vale a pena partilhar esta luta!


Já lá vai um ano que fui de férias. E muitas são as coisas para contar.


Durante este ano vivi numa montanha russa de emoções. Não tive direito a meio termo, nem tão pouco a coisas normais.

Realizei sonhos, encontrei tesouros… mas também foi assombrada pelo pior de todos os pesadelos…

Sinto finalmente a capacidade para escrever sobre o assunto. Um assunto que me caiu nas mãos em Junho do ano passado.

Era segunda feira de sol e eu recebia o envelope mais assustador de toda a minha vida. Naquele momento teria feito mais sentido um envelope armadilhado, que explodisse mal fosse aberto. Eu estava mais preparada para rebentar junto com ele do que para ler o que lá estava escrito.

O resultado da biopsia, realizada na minha mãe, não era o esperado! Dois carcinomas (tumor maligno desenvolvido a partir de células epiteliais ou glandulares) na mama esquerda e um gânglio axilar.

Sim, a minha mãe estava com cancro e era eu que tinha o envelope na mão, era eu a portadora da terrível notícia. Caí no chão frio daquele consultório. Não conseguia controlar a respiração nem as lágrimas. Nenhum músculo do meu corpo me obedecia. Ali estava, prostrada no vazio sem vontade de me mover. Senti uma voz a aproximar-se. Pegou-me pelo braço e gentilmente fez-me sentar no sofá. Só agora via o rosto da voz, era a recepcionista do médico, a mesma pessoa que minutos antes me tinha dado o maldito envelope. Com delicadeza pediu-me para ter calma e sugeriu que não desse a noticia à minha mãe. Aconselhou-me que aguardasse pelo regresso do médico que estava ausente do país num congresso.

Ela só podia estar a gozar-me! Como podia eu aguentar aquela dor, sozinha, por uma semana!? Era um fardo grande demais! Mas naquele momento não vi nenhuma outra solução e segui o concelho.

Chorei tudo o que tinha de chorar… limpei os olhos, lavei a cara e saí.

Não fui capaz de guardar o segredo e tive de partilha-lo, na esperança de diminuir a dor. No ombro do homem que amo voltei a chorar e, no ombro do homem que me ama encontrei a força necessária para lutar!

Uma semana depois contei à minha mãe. Fui a missão mais difícil da minha vida. Nunca imaginei ver os olhos de uma pessoa perderem a vida, mas foi isso que aconteceu, a luz dos olhos da minha mãe morreram naquele momento e só ressuscitaram dois meses depois, quando iniciou os tratamentos de quimioterapia no IPO.

Unidos como nunca, assumimos que venceríamos esta luta.

Vivemos sete meses de quimioterapia, uma mastectomia radical, 6 semanas de radioterapia e vamos continuar durante um ano em tratamento de anticorpo (produto que é injectado como se fosse quimioterapia).

Acreditamos que o pior já passou mas sabemos que ainda temos muito para andar!

A vitória será nossa e não dele!